Brasil, qual o teu negócio? Para quantas Lurdinhas existir no caos da saúde em Itaguaí - por Chris Gerardo

Cantava o poeta na década de 90, mal sabia ele que 25 anos depois, os negócios eram tão diversos, que descobrimos que aqueles que pagav...

Cantava o poeta na década de 90, mal sabia ele que 25 anos depois, os negócios eram tão diversos, que descobrimos que aqueles que pagavam para a gente ser tratado assim, era quem fingia nos representar.

Quinta Feira, Lurdinha 27 anos, mãe de três filhos, um de cinco, outro e de dois anos e um de oito meses, começa a se sentir mal, vai aonde deveria ser a porta de entrada de um pronto atendimento, na UPA, o acolhimento feito pela profissional responsável disse que seu caso não era grave, que ela deveria procurar um posto de saúde, João, seu esposo, funcionário Público da Cidade inteligente que todos querem, ainda suplicou, no posto de saúde perto da minha casa não tem médico, não surtiu efeito em profissionais já endurecidos pela dinâmica de um serviço estafante, que desumaniza as pessoas __ Pula de posto em posto, foi a orientação.

João resignado com sua esposa em dores seguiu a orientação, passou no Posto atrás da Secretaria de Saúde não tinha médico, foi na secretaria suplicar por socorro, a secretaria do secretario de saúde conseguiu atendimento no HMSFX, onde a mesma tomou remédio para estabilizar a pressão que se encontrava alta, foi hidratada e liberada para casa.

No sábado, João preferiu entrar para a estatística daqueles que são obrigados a enriquecer a saúde privada pela falta de assistência no publico, no cardiologista particular foi solicitado uma sequência de exames que João não teve condições financeiras de fazer.

Na segunda feira enfim tinha médico na UBS Califórnia, ao exame clinico, o profissional com limitações para diagnóstico, desconfiou de gastrite, mas era algo bem mais grave.

Lurdinha teve seu quadro agravado, internada de emergência, entrou na chamada fila virtual por uma vaga de CTI, o SISREG e o CER, mobilizados pela saúde de Lurdinha , amigos e parentes ligam, pedem ajuda, conseguem por fora da lista um leito intensivo, um médico decide brincar de Deus, _ ela não precisava mais, perde-se a vaga, Lurdinha sofre mais duas paradas cardíacas.

Liga-se para a assessoria do Prefeito, o silêncio como resposta, vou ligar para o Diretor, falou a mais atenciosa, amigos retornam ao apelo, conseguem um leito em Vassouras pelo sistema, profissionais mobilizados, aqui ela não tem chance, precisa ser transferida, Lurdinha sai de Itaguaí, sua terra, para encontrar acolhimento, esperança, diagnóstico e tratamento em Vassouras.

Dois dias depois, seu filho de cinco anos dá entrada no CEMERU, com pneumonia, a vida de Lurdinha e João tá difícil, mas não é só para eles.

No dia 14/09 na mídia social, Ricardo Vicente denuncia que sua filha internada no hospital após dar a luz estava solicitando água, pois não tinha no hospital, após mais de 200 comentários, com Ouvidora perguntando se a solução era se filiar ao sindicato e funcionários denunciando que não tinha copo descartável, papel higiênico e água, se chegou ao culpado_ o rapaz que carrega os galões, claro tinha que sobrar pro trabalhador.

Depois de pedidos de desculpas e argumentação esfarrapada, e após confirmação pelo órgão fiscalizador do Município que existia água, eis que a filha liga de novo e pede, _ pai trás água, não tem.  

Para os hipócritas que preferem atacar aos que lutam para que Lurdinhas não morram pela mão do Estado, dedico a música de outro poeta, Geraldo Vandré,  escrita no ano de 1968 quando o Estado matava de forma escancarada, porém menos cínica que em 2015.

“Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Então, vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Então, vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não

Os amores na mente as flores no chão
A certeza na frente a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer ”

Por todas as Lurdinhas,
Que possamos um dia sonhar por uma Itaguaí que seja para as pessoas.

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