Bomba de fabricação caseira na Ouvidoria - Sueli ou Ronald: já não é mais caso de saber quem tem razão - por Jupy Junior

Bomba de fabricação caseira na Ouvidoria Sueli ou Ronald: já não é mais caso de saber quem tem razão ...

Bomba de fabricação caseira na Ouvidoria
Sueli ou Ronald: já não é mais caso de saber quem tem razão
Jupy Junior*
Em 9 de novembro de 2015
Como todos sabem, fiz cobertura jornalística de política em Itaguaí nos últimos dois anos (fui editor executivo do jornal ATUAL), e antes, disso, trabalhei dois anos e meio como editor (jornal O FOCO). Entrevistei Sueli e Ronald algumas vezes. Infelizmente, não me causa total espanto o que acaba de acontecer: o rompimento deles e fatos escabrosos que vieram a público via Facebook.
Veja bem, a coisa é muito pior do que parece. Porque qualquer das alternativas é péssima: Sueli certa ou Ronald certo. Ou ambos certos. Ou ambos errados. A situação também fragiliza ainda mais o governo Weslei, que já há algum tempo não vai bem das pernas.
O casal, que mostrava cumplicidade, ajudou a organizar protestos contra o agora ex-prefeito Luciano, distribuiu panfletos, fez denúncias, alarde, mobilizou a Polícia Federal, acusou vereadores, chamando-os de “ratos” e “covardes”, dentre outros achincalhes. Luciano deveria ser defenestrado para sempre. E, aparentemente, foi.
Mas logo em seguida Sueli e Ronald passaram a trabalhar para o governo Weslei. A credibilidade deles foi pelo ralo quando ambos enfiaram-se na prefeitura sob o pretexto de “ajudar o povo de Itaguaí”. Muitos não se convenceram das intenções do casal.
Pouco tempo depois, ao final de uma entrevista concedida a mim, Sueli perguntou: “Jupy, você acha errado eu trabalhar para a prefeitura?”. Respondi: “Sim, acho um terrível comprometimento ético. Você jamais deveria aceitar cargo algum. Vai ficar parecendo que você fez tudo o que fez só por interesse”.
Ela ficou pensativa. Mas depois aceitou o cargo e nada mais disse.
Ronald, o marido, também enveredou pelo mesmo caminho, embora agora tenha resolvido se insurgir contra a mulher tendo a ética como argumento. Mas - vamos por favor nos lembrar - ele também feriu a ética ao ficar lado a lado com Sueli durante meses: ambos atuando dentro da prefeitura.
Agora, mais do que nunca fica praticamente impossível aceitar que a indignação de ambos contra Mota não tivesse um objetivo bem específico. Mesmo que se aceite o argumento de que essa não tenha sido uma ideia inicial, o comprometimento ético de ambos já havia acontecido: nunca deveriam ter aceitado cargo algum.

OUVIDORIA COMO PRÊMIO
Algum tempo depois do afastamento de Mota e da posse de Weslei, criou-se uma Ouvidoria na prefeitura, um órgão que deveria fazer intermediação entre a população e o poder público de forma independente, com poderes investigativos e livre acesso às secretarias e demais órgãos. Sueli conseguiu aprovar a toque de caixa uma lei municipal que criou a Ouvidoria. Projetos importantíssimos não encontram lugar na pauta legislativa há muito. Mas ela conseguiu espaço em tempo recorde, graças ao poder que passou a exercer na prefeitura e graças, talvez, à atuação da liderança do governo na Câmara.
É bastante razoável supor que a Ouvidoria foi criada não para os itaguaienses, mas para Sueli e Ronald. Pessoas inteligentes em Itaguaí têm dito isso frequentemente.
A Ouvidoria teria sido o prêmio pela dedicação de ambos em algumas das ações e atividades que tiveram como objetivo extirpar Luciano Mota do Palácio Barão de Teffé. A Ouvidoria - órgão que atrai simpatia de eleitores porque recebe queixas e apresenta soluções - foi a saída perfeita para encaixar o casal na estrutura do governo: o jeito “brigão” de Sueli contra os marmoteiros e sua postura supostamente determinada, arrojada e sem papas na língua combinavam com as funções usuais do órgão.
Aliás, dizem também que o prêmio Ouvidoria na forma de cargos foi estendido a quem havia se juntado ao casal na luta enérgica contra os “marmoteiros”: amigos - ou que têm relação com esses amigos do casal - hoje trabalham no órgão. São 12 (!!) pessoas. Isto mesmo: 12 pessoas. Precisa de tanta gente?
Uma das críticas do grupo que atacava Mota (com toda a razão, é preciso reconhecer) é que ele empregava gente demais baseado apenas na amizade. Pois é.
Sueli teve que declarar hoje (9/11/15) no Facebook que ganha R$ 10 mil (Ronald a acusou de receber R$ 15 mil). Ela explicou que seu salário se equipara ao dos secretários (!!!), e que 5% já foi reduzido por contenção de despesas (ordens do prefeito).
Não faz muito tempo Sueli acusava Andréa Lima (não sem razão, claro), ex-secretária de Saúde e Assuntos Extraordinários, de não ser qualificada para o cargo. Sueli usa mal o português e não se sabe como nem onde adquiriu tão rapidamente habilidades necessárias para ser Ouvidora - uma função difícil, que exige experiência e profundos conhecimentos.
Ela anunciou que participou de um curso de qualificação, mas só. Talvez tenha feito outros cursos e não tenha revelado, mas certamente faz pouco tempo que se envolveu no ramo. Ela é Ouvidora há poucos meses, e antes nada havia feito de parecido até então.
É apropriado citar outra secretária do governo Mota. A então petista Adriana Salomão disse ao assumir a pasta de Agricultura que “nada conhecia do assunto”. Foi duramente criticada por isso (novamente, com toda razão).
Sueli diz também que a Ouvidoria presta importante serviço aos itaguaienses. Cabe lembrar que não há divulgação dos feitos, dos atendimentos e dos serviços prestados pelo órgão. “É só vir aqui ver tudo”, diz a Ouvidora, que incluiu no seu perfil do Facebook a seguinte informação: “segundo grau completo”. Gente na mesma rede social rebate Sueli ao reclamar que nunca foi atendida. A conferir.
Sobre o escândalo, a prefeitura - até o momento em que envio este artigo para publicação - não se pronunciou a respeito. Nada no site oficial acessado em 9 de novembro de 2015. Nada foi oficialmente dito nem quando Ronald acusou a agora ex-mulher e ainda Ouvidora de comprar computadores sem licitação, o que é crime. “Me denunciem e me punam”, retrucou Sueli. Até agora, nada aconteceu.

CRIME CONFESSO
Se ela estiver certa e o marido tiver mesmo rompido por não ter conseguido “arrancar dinheiro do prefeito por chantagem” (palavras dela), péssimo.
Se Ronald estiver certo e Sueli faz uso da Ouvidoria e do dinheiro da Ouvidoria como se fossem seus e ao arrepio da lei para comprar xícaras em loja de grife e computadores sem licitação, péssimo.
Se os dois estiverem certos, péssimo.
Se os dois estiverem errados, péssimo, pelo escândalo.
O que pouca gente parece ter realmente entendido é que Sueli confessou um crime de lesão ao erário público ao comprar computadores sem o devido processo legal. Ou seja, fora da lei. O nome disso é crime. E ela o confessou no Facebook. Isto é grave.
Mas ela explica o motivo: a prefeitura não a atendeu até hoje, pois ela fez o pedido do maquinário há tempos. Mas Sueli, não pode agir contra a lei. Simples assim.
Eis então a contradição: se a própria Ouvidoria não consegue fazer o prefeito atender ao órgão, como se espera que ela consiga fazer a prefeitura atender aos cidadãos? Para quê então existe Ouvidoria?
Ademais, a atitude de causar tal furdunço até mesmo vexatório no Facebook não condiz com a condição de servidora que representa o povo de Itaguaí.
A discussão é longa, mas cabem aqui, para finalizar, algumas perguntas:

1 – SÓ AGORA? (1) - Ronald concordou que a mulher recebesse, por meses, R$ 15 mil. É justo ela ganhar esse valor para fazer o que faz? Ele certamente usufruiu do salário dela indiretamente... por que só agora ele decidiu revelar quanto Sueli ganha? Por que ele não se revoltou com isso antes? Por que ela mesma não anunciou quanto ganharia quando assumiu o cargo, a fim de exercitar a tão propalada transparência?

2 – SÓ AGORA? (2) - Ronald só agora percebeu as intenções da mulher? Só agora Sueli teria decidido agir inescrupulosamente? Assim, do nada? Ou já agia antes e ele ficou quieto? Se ela sempre agiu assim, por que ele demorou tanto para perceber? E se ele já percebeu há mais tempo, por que não fez nada?

3 – AMIGOS CERTOS?- Sueli acha que tem qualificação compatível com um salário de R$ 10 mil? Há várias pessoas com qualificação compatível ou maior do que a dela (e mais experientes na área) que estão desempregadas na cidade e que poderiam assumir tal função de Ouvidora com competência. É difícil não imaginar que Sueli conseguiu o emprego porque é amiga das pessoas certas.

4 – RAZÕES DO CONVITE - Sueli nunca viu problema ético em assumir um cargo na prefeitura? Nunca mesmo? Esse cargo foi negociado de que modo? Quando? Por que o prefeito Weslei decidiu convidá-la? Baseado na qualificação dela? Quais foram os critérios do prefeito Weslei para nomeá-la? O prefeito Weslei não considerou antiético nomear Sueli? Muita gente achou...

5 – EQUIPE E SELEÇÃO - Por que tanta gente trabalha na Ouvidoria? São 12 pessoas... todas são qualificadas para as funções que exercem? Aliás, que funções exercem? Qual é o salário de cada uma? Quais foram os critérios para a seleção dessas pessoas? As pessoas qualificadas e desempregadas da cidade tiveram a chance de se candidatar a uma das vagas para também ajudarem o povo na Ouvidoria? As pessoas que trabalham na Ouvidoria fizeram alguma prova de conhecimentos gerais ou específicos? Não é certo achar que deveriam tê-lo feito?

6 – DEMORA? - Por que o prefeito ainda não exonerou Sueli?

7 – PRESENÇA CONSTANTE - Se Ronald não era funcionário da prefeitura como disse Sueli, porque vivia na Ouvidoria, de paletó e gravata? Por que ela consentia que uma pessoa não contratada ficasse na prefeitura sob seu comando? Isso acontecia porque ele era seu marido? Por que ele trabalhava sem receber, se não era funcionário?

8 – VIAGEM A BRASÍLIA - Quem pagou uma viagem recente de Sueli e Ronald a Brasília? (fotos no Facebook) Quanto custou a viagem? Qual foi o motivo?  Quantas e quais pessoas da Ouvidoria foram com eles?

9 – OBSOLESCÊNCIA - Por que é necessário ter uma Ouvidoria se alguns dos pedidos que lá chegam – como afirmaram internautas no Facebook – não são atendidos? Por que a própria prefeitura não se encarrega de assumir essas demandas, sem criar órgão algum?

10 – ATITUDE ÉTICA - Por que a própria Sueli ainda não entregou o cargo para que as denúncias sejam investigadas com isenção e transparência?

11 – SÓ AGORA? (3) - Por que Sueli manteve o marido e o casamento depois que ele supostamente passou a se comportar de modo a chantagear o prefeito Weslei, segundo ela contou? Por que ela só revelou isso agora, depois que ele a acusou? Não seria o caso dela tê-lo denunciado imediatamente e ela romper com ele, e não o contrário?

12 – INTERNAUTA COMPULSIVA - Quanto tempo por dia Sueli dedica ao Facebook? Isso não atrapalha suas funções como servidora pública?
E uma das melhores perguntas de todas:

13 – CADÊ A EMPRESA? - Por que o casal, que tinha um negócio (como Sueli disse uma vez, ao retrucar que não precisava se candidatar a vereadora ou assumir cargo na prefeitura), aparentemente se desfez da empresa para atuar EXCLUSIVAMENTE na prefeitura? A empresa que Sueli e Ronald mantinham foi fechada? Ao que tudo indica sim, porque tanto marido quanto mulher estavam o tempo inteiro na prefeitura, ao que se saiba. Fechar uma empresa para assumir um cargo público foi por idealismo político?

Estas são perguntas que a situação impõe a Sueli e Ronald. Não basta saber quem tem razão. É caso de, sobretudo, aprofundar a discussão sobre os fatos e fazer essas e outras perguntas e obter, claro, respostas satisfatórias das autoridades responsáveis.
* Jupy Junior é jornalista e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ)

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