A guerra no Rio: traficantes e sociedade

Os ataques violentos no Rio de Janeiro comandados por chefes do tráfico de drogas são uma reação à reocupação dos espaços urbanos, e a devol...

Os ataques violentos no Rio de Janeiro comandados por chefes do tráfico de drogas são uma reação à reocupação dos espaços urbanos, e a devolução destes lugares à sociedade. E, não por acaso, até há pouco tempo, terra de ninguém e ambiente de ação do crime numa das mais importantes cidades do país.

O que querem os traficantes? O objetivo deles é forçar um "acordo" com autoridades para tentar uma saída "pacífica" para suas atividades delituosas que contrariam qualquer sociedade civilizada e democrática. No passado, estes "acordos" davam a segurança necessária para o governo fingir que combatia, e o crime e os traficantes fingiam que não estavam desafiando as leis. Balela.

Os traficantes foram desalojados de algumas comunidades após a adoção das UPPs. As tais Unidades Pacificadoras não estão nas comunidades maiores e principais, mas o programa está avançando. E isto não é bom para quem quer vender drogas, ou consumí-las, sem ser importunado.

Outro problema para os barões do pó, maconha e crack: a pressão das milícias que contam com a ajuda voluntariosa e pessoal de policiais. Os milicianos expulsam e se alojam nos seus lugares.

Os traficantes não estão acuados, como já chegou a dizer o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. E muito menos desesperados, como falou hoje o governador Sérgio Cabral. Eles estão armados até os dentes, tem clientes fiéis e estão entocados ao lado de seus paióis. Tem chefe do tráfico que conta com a assessoria de ex-guerrilheiros angolanos e armeiros que deixaram o exército brasileiro.

O que está acontecendo, então? Os traficantes estão antevendo que se não reagirem minimamente organizados terão que sair das favelas onde nasceram. Quem já sacou que a barra continuará pesando, já pulou fora. Muitos já estão nas regiões dos Lagos e serrana e no interior do estado. Não é tão rentável como na capital, mas garante um capital bom. E outros foram para o nordeste do país, região de franca ascensão de consumo de drogas por brasileiros e turistas estrangeiros. Pedofilia, prostituição e drogas, está bom ou quer mais?

Leia abaixo o relato revelador que me chegou antes dos ataques. É de alguém que presenciou a disposição dos traficantes de ir para o enfrentamento. Um leitor, testemunha ocular, me escreveu o que aconteceu no dia 20 de novembro:

"No último sábado, dia 20, estava no baile funk da Rocinha, na quadra da rua 1, quando o chefe do tráfico de drogas conhecido como 'Nem' chegou com mais de 200 homens armados de fuzis e granadas. Logo notei algo estranho, pois ele nunca entrava no baile com tantos seguranças. Minutos depois o seu braço direito o 'Neto', pegou um microfone e começou a falar: 'agora é oficial. Não existe mais facção, agora é o trafico contra polícia. Não tem essa de UPP nem operação, não vai ter olimpíadas P... nenhuma quem manda no Rio de Janeiro somos nós, vai tomar no C... Sérgio Cabral e Beltrame, agora é união Rocinha e Complexo do alemão'.

Isso mesmo Sidney, inclusive notei que havia outros homens estranhos junto ao 'Nem', ouvi rumores de que se tratavam de 'Pezão', 'Mister M' entre outros."

De agora para diante temos que ficar atentos com boatos e a multiplicação do medo. Sentimento aliado do terrorismo. Até centros populares se sentem desconfortáveis.

http://www.sidneyrezende.com/blog/sidneyrezende

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  2. Que Gilmar Mendes não solte os bandidos do Rio
    Messias Pontes *

    O Brasil inteiro assistiu, atônito, nos últimos dias, às ações das forças militares e policiais no Rio de Janeiro contra o crime organizado. Toda a sociedade apoiou o combate sem trégua aos bandidos e aplaudiu por não atingir pessoas inocentes nos morros da Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. Muita droga – maconha, cocaína e crack – e muita arma pesada e farta munição foram apreendidas, causando enorme prejuízo financeiro aos traficantes, calculado em mais de R$ 100 milhões.

    A sociedade brasileira aplaudiu também a prisão de vários “chefões” do tráfico, mas espera que os que conseguiram furar o cerco sejam presos no curto prazo. Espera também que haja uma averiguação rigoroso para apurar denúncias de que maus policiais facilitaram a fuga de alguns bandidos tanto no morro da Vila Cruzeiro como no Complexo do alemão. Há denúncias também de excesso por parte de policiais e até mesmo de roubo, conforme declarou um morador da Vila Cruzeiro que um soldado lhe roubou R$ 31 mil, dinheiro recebido da rescisão de contrato de trabalho.

    Mas o que os brasileiros de bem esperam mesmo é que o ministro Gilmar Mendes – ou Gilmar Dantas, conforme o jornalista Ricardo Noblat – não venha a decretar a liberdade dos bandidos presos durante a operação policial-militar. A preocupação é procedente, pois este ministro, que infelizmente chegou à presidência da mais alta Corte de Justiça do País, tem sido benevolente, para não dizer um pai, com bandidos de colarinho branco.

    Para surpresa geral, Gilmar Mendes soltou o banqueiro-bandido italiano Alberto Salvatore Cacciola, dono do banco Marka, que deu um rombo de mais de R$ 1,5 bilhão. Em liberdade, Cacciola fugiu para o seu país, e só foi preso pela Interpol quando resolveu passear no Principado de Mônaco, e depois extraditado para Cá. Ele foi condenado a 13 anos de prisão por gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público.

    Gilmar Mendes, para não perder a fama, concedeu celeremente dois habeas corpus ao também banqueiro-bandido Daniel Dantas, indiciado por vários crimes, entre eles gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Além de proteger o banqueiro-bandido, Gilmar Mendes perseguiu implacavelmente o delegado federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha que apurou a roubalheira de do dono do banco Opportunity ; também perseguiu o legado federal Paulo Lacerda, então diretor da ABIN, e o juiz Federal Fausto di Sanctis que decretou as prisões de DD.

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  3. parte II
    A posição e as decisões do ministro Gilmar Mendes foram tão esdrúxulas que um movimento nacional ganhou corpo para o seu impeachment, o que acabou não acontecendo porque a maioria dos senadores é muito conservadora e medrosa, para não dizer covarde. Dezenas de entidades nacionais se manifestaram pelo impeachment desse ministro que foi indicado pelo Coisa Ruim (FHC) para o Supremo Tribunal Federal apesar das advertências feitas pelo grande jurista Dalmo de Abreu Dallari.

    Setores progressistas da igreja católica têm denunciado as ações antidemocráticas de Gilmar Mendes, notadamente na criminalização dos movimentos sociais, em especial do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Comprometido com os interesses do baronato da mídia, esse ministro tornou sem efeito a obrigatoriedade do diploma de curso superior em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista.

    Agora, para indignação geral, o ministro Gilmar Mendes põe em liberdade o médico-monstro Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão, em primeira instância, por crimes sexuais contra 60 pacientes. O relato das vítimas desse monstro, que é milionário, chocou a todos, menos ao ministro do STF que não gosta de ver bandido de colarinho branco na cadeia.

    A consciência democrática brasileira não aceita, por hipótese alguma, que o ministro Gilmar Mendes tenha a petulância de ordenar a soltura dos traficantes de drogas e armas do Rio de Janeiro, presos nos últimos dias nas comunidades de Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

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