A oposição política

A oposição aos governos se dá de três formas. A primeira é a clássica oposição ideológica, em que um partido se opõe ao governo por suas ...

A oposição aos governos se dá de três formas.

A primeira é a clássica oposição ideológica, em que um partido se opõe ao governo por suas ideias (esquerda-direita, liberalismo-socialismo…). Era a oposição clássica nos séculos 19 e 20. Aponta a sua própria base eleitoral. E tende a afirmar a base ideológica do governo.

A segunda é a função constitucional de fiscalização e legislação. Aqui, a oposição procura destacar os desvios constitucionais, a conduta do governo e as contradições entre o que diz e o que faz e separar propaganda da realidade.

É como uma guerrilha política, parlamentar e judicial, que desgasta progressivamente o governo por seus desvios, afetando a sua imagem.

A terceira forma é a mais importante do ponto de vista político-eleitoral e a mais abrangente, pois amplia a base de apoio da oposição. Depende das circunstâncias, e não da vontade da oposição.

Numa conjuntura de problemas que enfrente o governo (econômica, moral…), a oposição deve estressar os problemas e estender, no tempo, o debate sobre eles. Mas não é a oposição que os cria.

Para isso, deve estar atenta aos problemas no nascedouro e dar oxigênio para a opinião pública e a imprensa.

Os valores, por exemplo, cabem na primeira forma, mas podem surgir na terceira.

A questão do aborto no Brasil em 2010 é um exemplo. Era questão fora do debate. Mas o PNDH-3 reabriu a discussão. A oposição chegou atrasada, e o tema veio de baixo para cima, pelas igrejas.

Transformou-se em “hit” da terceira forma em 2010 e reforçou a identidade conservadora.

Nos EUA, os republicanos em 2009/2010 mostraram maestria ao trabalhar nas três frentes: ideológica, parlamentar e conjuntural, explorando os pontos frágeis de Obama e a economia. A vitória foi tripla.

Exemplo da segunda forma são as sistemáticas invasões de competência do Executivo sobre o Senado, em que a oposição tem se mantido passiva.
As questões temáticas (saúde, segurança, educação…) devem ser tratadas simultaneamente nas três formas. Por exemplo, as políticas públicas relativas à regulamentação da emenda 29 na saúde, os resultados pífios da educação, o aumento da violência.

2011 anima a oposição. Os problemas de gestão política serão inevitáveis num governo montado por cotas. Virão ampliados num ano frágil economicamente, vis a vis a lembrança do mito. Abrem um amplo espaço à oposição.

Se fatos passam a ter cobertura da imprensa em forma de campanha, mais fácil será multiplicar em direção à sociedade e galopar os espaços abertos. E a artilharia deve ser sistemática e diversificada, à moda europeia. Nunca se sabe qual é o “tipping point”.

Publicado em 08.1.2011 em Folha de São Paulo
Retirado do Ex-blog do Cesar Maia

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  1. Olá!
    em primeiro lugar, fico muito feliz de ver César Maia na Folha de S.P Tomara que ele goste tanto de S. Paulo que se mude de vez para lá.

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  2. Cesar Maia diz que medida no ensino é nazista e compra briga com judeus

    O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, acabou entrando em atrito com a comunidade judaica na cidade ao fazer um comentário polêmico sobre a nova metodologia de aprovação na rede de ensino da prefeitura. Ele comparou o método, que acaba com a aprovação automática, com o Lebensborn, prática nazista que selecionava crianças apenas da suposta raça germânica. O problema é que o ex-prefeito fez as críticas à secretária municipal de Educação, Claudia Costin, que é judia filha de um sobrevivente do Holocausto.

    Pela sua assessoria de imprensa, Costin disse que não iria comentar as declarações de Cesar Maia e lembrou que o fim da aprovação automática não tem qualquer semelhança com o exemplo levantado pelo ex-prefeito. Para a presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj), Lea Lozinsky, Cesar Maia errou ao usar o nazismo como exemplo para sua crítica.

    "A Federação está do lado dela (Cláudia Costin). Provavelmente ele quer aparecer, mas provocou uma comunidade inteira. Ao postar vídeo de Hitler ele está incentivando o anti-semitismo, que a gente tanto combate. Vou acionar nosso setor jurídico para saber se algo pode ser feito", afirmou.

    (SRZD) fonte Terra Brasilis

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  3. "César não estava na Folha - a Folha estava em César(blog)".

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  4. "Mas, o planejamento só é ético quando visa um crescimento que possa se traduzir em melhor qualidade da vida coletiva, um cenário melhor para a vida de todos, e só é democrático quando procura incorporar todos os envolvidos no processo de planejar." (João Caramez)

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