Educar para transformar quem? E em quê? (por Prof° Jeferson Farias)

Enviado por Prof° Jeferson Farias - Hoje o mundo está em constante transição. Poderíamos dizer que nunca a humanidade viu tantas modificaç...

Enviado por Prof° Jeferson Farias

- Hoje o mundo está em constante transição. Poderíamos dizer que nunca a humanidade viu tantas modificações em diversos campos do meio da sociedade em que vivemos. Quando pensamos na palavra TRANSFORMAR no meio educacional, por exemplo, o que vem à nossa cabeça? Seria algo revolucionário? Algo que pudesse modificar as bases educacionais? Talvez sim, talvez não!

Quando adentramos no mundo educacional de nosso país, constatamos diversas dificuldades encontradas por todos inseridos em um sistema cada vez mais problemático. O que mais me indaga como profissional da área de educação é a falta de seriedade quando se trata de qualidade de ensino. A falta de consciência da maioria dos menos favorecidos (pobres) de que a educação é a única moeda que não se desvaloriza, levam as nossas autoridades governamentais dar o mínimo para o máximo de pessoas possíveis. Outro paradoxo dentro de nossa realidade educacional é que grande parte dos professores não tem seus filhos nas escolas públicas. O que levaria esses a não acreditarem naquilo em que trabalham? Será que os mesmos por conhecerem a realidade em que estão inseridos não confiam no sistema? Ou porque ganham muito bem (risos) e preferem gastar seu dinheiro nas escolas particulares?

Poderíamos também salientar que dentro de grande parte das escolas falta muita coisa a ser feita e dentre essas destacaríamos a pouca dignidade dada ao profissional de educação. O professor está refém do sistema assim como os alunos. São salas superlotadas, banheiros dos professores inadequados, onde mulheres e homens utilizam o mesmo local, alunos agitados, professores mal remunerados, sem condições climáticas (interna) adequadas para um bom desenvolvimento do ensino aprendizagem. Em muitas escolas os professores têm que comprar o seu material de trabalho (pilotos para quadro branco, quando tem quadro branco, apagadores e outros utensílios mais). Já imaginaram um policial militar ter que comprar sua arma para ir para rua trabalhar? Não que as condições deles sejam melhores, mas isso é um outro assunto a ser tratado em um artigo futuro.

Como transformar a educação, para que possamos educar para transformar? Durante um bom tempo vimos a classe média migrar seus filhos das escolas públicas para as escolas particulares. Qual seria o real motivo? Infelizmente, no Brasil, algo só muda quando a classe média se sente atingida. Quando as “elites” perceberam que o sistema educacional público, pelo menos no que tange ao ensino básico, começou a definhar, migrou seus dependentes para a escola particular e “exigir” uma educação de qualidade. Infelizmente, também, sabemos que as classes mais favorecidas precisam da mão-de-obra barata ofertada pela classe menos favorecida. Para tanto, não farão nada para mudar a situação do ensino básico, pois seus filhos não se encontram mais lá. Então, o que fazer e como fazer?

Muito de nós não sabemos, realmente, o que fazer, pois ficamos à mercê da sorte ou da boa vontade política de um governante. Mas para que esses problemas tenham solução precisamos encarar a educação como algo para o hoje e não somente para o futuro. Devemos educar para projetar cidadãos conscientes de que eles são os atores da história. Devemos educar para obtermos respostas satisfatórias para a sociedade e não estatísticas que medem a Imbecilidade Desenvolvida Equiparada à Burrice (IDEB).

Então, somente transformando a educação pública em algo onde toda a sociedade deposite novamente a confiança é que poderemos entender que a educação ainda pode transformar vidas. Enquanto não houver uma consciência coletiva de que precisamos mudar para melhor, ficaremos comendo as migalhas que caem da mesa dos “poderosos”.

*O Professor Jeferson Farias possui Mestrado em História Comparada pela UFRJ/IFCS. Pós-Graduação em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância pela UFF. Licenciatura Plena em História pelo Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos. Atualmente é professor Regente de História do Ensino Médio (Governo do Estado do Rio de Janeiro) e Coordenador Geral do Projeto Excelência da Prefeitura Municipal de Mangaratiba.

Postar um comentário

  1. Quando deixarem de tratar as crianças e jovens como simples dados/números, a educação será de qualidade e aí sim o Brasil terá condições de crescer com sustentabilidade.

    A educação pública que vejo hoje é essa questão que o Professor Jeferson levantou: os alunos de escolas públicas recebem uma educação que os prepara para serem a mão-de-obra barata, nas empresas que pertencerão aos alunos das escolas particulares.

    JOVEM ESTUDANTE DE ESCOLA PÚBLICA: VOCÊ QUER SER MAIS UM NESSA MULTIDÃO QUE O SISTEMA QUER MANTER OU QUER SER UM, AQUELE QUE CONSEGUIU ROMPER AS AMARRAS ATRAVÉS DOS ESTUDOS INTENSIFICADOS ALÉM DAS AULAS E DA CONSCIÊNCIA DE UMA MUDANÇA DE POSTURA?

    Tem como lutar contra isso!!!!

    ResponderExcluir
  2. Parabenizo e concordo plenamente com vc , quando a sociedade brasileira passar a exigir seus direitos básicos com qualidade e exerce seu papel de cidadão pode ser que mude

    ResponderExcluir
  3. Enquanto nós cidadão estivermos acomodados no pouco que temos e não exigimos mais de nossos representantes,nada vai mudar.
    Não podemos nos contentar com pouco, enquantos os alunos estiverem preocupados em sair cedo afinal se não tem água,comida,professor na escola não tem aula melhor ainda esse pensamento afetará o seu futuro.
    Se cada um fizer o seu papel iremos tranformar nossa sociedade e pra melhor!!!

    ResponderExcluir
  4. Bem esse problema da rede pública de ensino, não vai ser solucionado enquanto continuarmos elegendo e reelegendo os políticos que precisam perpetuar os motivos pelos quais são eleitos. Isso significa, que eles manipulam a opinião publica com obras de baixas qualidade e uma overdose de publicidade de autopromoção,fazendo uma lavagem cerebral na população . O único remédio é renovação da classe política, precisamos de jovens com essa ideologia . Chega de esperar o futuro , vamos decidir o nosso futuro hoje.

    ResponderExcluir
  5. Professor Jeferson acredito que o ensino de sociologia e filosofia ira, tardiamente, ajudar nossos alunos a criar uma maior consciência em relação aos problemas e às necessidades da sociedade a qual estarão inseridos para o resto de suas vidas. Estas matérias darão aos nossos jovens ferramentas necessárias para que possam, diante da grande massa de informação disponível que caracteriza nossos dias, avaliar melhor todas as escolhas e possibilidades tanto de suas vidas particulares, educacionais e profissionais, mas principalmente, da importância de sua consciência politica para o desenvolvimento da sociedade como um todo. Só não sei como as secretarias de educação de nossa região estão se movimentando para que estas matérias estejam sendo dadas aos alunos.

    ResponderExcluir
  6. A classe media já deu o jeito dela... Já trabalhei em colégios no rio e em caxias que tem modelos educacionais que não são perfeitos mas são bem interessantes...

    ResponderExcluir

emo-but-icon

Curta nossa Página

Semana

Recentes

Comentários

Visualizações do Blog

Twitter

Anuncie Aqui

Anuncie Aqui
item