Denúncias de desvios de verba do povo nos Cemitérios de Itaguaí e na Casa de Costura que fazia uniformes para funcionários da Prefeitura de Itaguaí - (JORNAL ATUAL) - NÃO SEI SE SINTO NOJO OU SE FICO TRISTE POR SABER O QUE DEUS RESERVA AOS CORRUPTOS

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Jornal Atual, 15 de maio de 2015 - RENATO REIS - renato.reis@jornalatual.com.br

Polêmicas na arrecadação dos cemitérios de Itaguaí

Sepultamentos em série de corpos oriundos do Rio e não recolhimento oficial de taxas dos cemitérios engrossam denúncias contra Luciano Mota e suscitam denúncias de privatização de serviços funerários

DENÚNCIA GRAVE Num cenário em que muitas respostas devidas pela administração Luciano Mota
ainda carecem de esclarecimentos, num flagrante desrespeito à transparência exigida dos administradores
públicos, novas denúncias de condutas inadequadas ao servidor público vêm à tona no bojo das acusações contra o ex-prefeito afastado. As revelações que vieram à tona esta semana dão conta de que a arrecadação anual oficial dos três cemitérios da cidade (São Francisco Xavier, Padre Cezare Vigezzi e
Carioca) foi de míseros R$ 538,22, mesmo numa cidade que chegou a ter finais de semana com até
22 sepultamentos em apenas um dos cemitérios - o Padre Cezare Vigezzi, também conhecido como
Sase. O desacerto nas contas fica evidente ao se constatar que ali o aluguel de apenas uma gaveta
custa R$ 479, 18, enquanto o de uma cova rasa é de R$ 47,70.

Em entrevista ao ATUAL o procurador Emídio Jorge Coutinho revelou que a constatação sobre a possível incorreção nas contas partiu de denúncias que chegaram à prefeitura, segundo as quais havia desvio de recursos dos caixas dos cemitérios. “Mandei chamar os administradores dos cemitérios e fi quei estarrecido quando eles me disseram que as taxas arrecadadas eram repassadas diretamente ao diretor de assuntos funerários. Os recibos não eram contabilizados”, garantiu o procurador Emídio, acrescentando que hoje os sepultamentos só são efetuados mediante o pagamento dos valores a partir da emissão de uma guia pela prefeitura para ser paga na rede bancária. A exceção fica por conta dos feriados e fins de semana, quando a rede bancária não funciona. Mesmo assim, a prestação de contas é exigida no primeiro dia útil seguinte àquelas datas. “É um critério excepcional até que um estudo viabilize o recolhimento de outra forma para evitar que o funcionário lide com dinheiro”, adiantou.

Denúncias envolvem também Casa de Costura
Alvos de polêmicas durante todo o período em que Luciano Mota esteve à frente da administração de Itaguaí os uniformes escolares estão novamente no olho do furacão das denúncias de malversação de recursos por parte do ex-prefeito Luciano Mota. É que, segundo o procurador, na Casa de Costura destinada à confecção das roupas funcionava uma estrutura para atender a interesses particulares. Uma coleção de telas de silk-screen apreendidas no local, com marcas de empresas impressas, é uma forte evidência de que ali eram feitos serviços para empresas privadas. Além disso, os gastos com materiais revelam completo descuido com os gastos públicos. Só para se ter uma ideia da gravidade da situação, um documento a que o ATUAL teve acesso denúncia que na compra de 50 mil unidades de um papel tipo transfer, com preço unitário de R$ 3,19, foram gastos R$ 159.500, o que seria sufi ciente para a impressão de aproximadamente 800 mil uniformes caso a utilização fosse para gravar o logotipo do município. “Levando em conta o fato de a rede escolar do município ter aproximadamente 22 mil alunos, fica claro que a aquisição do material não atendeu aos princípios da economia e muito menos da real necessidade”, acentua a denúncia. Outra revelação aponta para a compra de 17.300 metros da microfibra conhecida como tac-tel ao custo de R$ 6,39 o metro, enquanto o valor de mercado do produto hoje é de R$ 3,60 o metro. “São disparidades alarmantes que podem indicar superfaturamento. Uma coisa dessas não é aceita sem o conhecimento do prefeito”, diz a denúncia, que também será encaminhada.

Diante do que encontrou, o procurador Emídio Jorge decidiu encaminhar denúncias ao Ministério Público Estadual, ao Tribunal de Contas do Estado e à Delegacia da Polícia Federal em Nova Iguaçu, cujo titular, delegado Hylton Coelho, está encarregado das investigações de denúncias que pesam contra a administração do prefeito afastado Luciano Mota. “Em um termo de declaração, o ex-diretor assegura que a gestão dos recursos por ele tinha pleno conhecimento e aprovação da prefeitura à época”, disse o procurador.

O intrincado caso dos sepultamentos em Itaguaí tem outro capítulo nebuloso, o que dá conta de uma série de sepultamentos de corpos oriundos da cidade do Rio de Janeiro, por força de um entendimento entre a administração anterior e a funerária Rio-Pax. O procurador acentua que depois da devassa promovida pela atual administração o número de sepultamentos caiu consideravelmente. “Só de sexta-feira até domingo foram rejeitados 22 enterros”, ilustra o novo responsável pela administração dos cemitérios, Jorge Fernando de Freitas. “A nossa responsabilidade é tomar as medidas que o fato enseja, ou seja, está claro que houve crime. Sendo assim, nossa obrigação é encaminhar as denúncias às autoridades para que apurem mais”, disse o procurador. “Criou-se no departamento de cemitérios de Itaguaí praticamente uma empresa privada. Eu chamaria o governo Luciano Mota de uma holding de crimes”, reforçou o vereador Nisan Cesar (PSD), após denunciar o fato em sessão na Câmara Municipal da cidade, na terça-feira (12).

“Prestei todas as contas”, diz ex-administrador
Exonerado do cargo após o depoimento prestado ao procurador, o ex-diretor de assuntos funerários se disse muito triste e magoado diante de tudo o que aconteceu e garantiu que de sua parte não houve qualquer desvio de recursos. “Eu não devia ter acompanhado o que vinha sendo feito ali da forma como era feito.
Nunca tive e não tenho nada que lambuze meu nome”, disse Celso Maciel de Oliveira, após listar uma série de obras que realizou nos meses em que ficou à frente do órgão. Ele reconheceu que utilizava os recursos para realizar melhorias nos cemitérios, mas segundo Celso, tudo o que foi recolhido e gasto foi alvo de prestação de contas aos secretários de Obras, a quem esteve subordinado. Ele disse, inclusive, que um documento denominado Lista da Saúde Mensal era todo mês entregue aos secretários como forma de prestar contas do fluxo dos recursos durante sua gestão. “Se você prestou contas você está em paz”

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